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Testemunho da Igreja antiga

O último testemunho de Policarpo

Policarpo, idoso líder da Igreja de Esmirna, recusou diante das autoridades romanas negar Cristo. Preferiu o martírio a voltar as costas ao Senhor a quem servira por muitos anos. O relato escrito pela Igreja de Esmirna tornou-se uma das mais antigas narrativas de martírio fora do Novo Testamento.

O último testemunho de Policarpo
Imagem: Octave 444 · CC BY-SA 4.0

O Martírio de Policarpo acompanha a perseguição em Esmirna quase cena por cena. Amigos escondem o bispo idoso numa casa de campo, mas, quando o refúgio é denunciado, ele se recusa a fugir novamente. Manda oferecer comida aos homens que vieram prendê-lo e pede uma hora para orar. O texto não mostra alguém desejoso da morte, mas um pastor sereno que leva o medo à oração.

O texto relata também uma visão três dias antes da prisão: Policarpo vê seu travesseiro em chamas e anuncia que será queimado vivo. Ao entrar no estádio, uma voz do céu teria dito: “Sê forte e mostra coragem, Policarpo!” Ninguém viu quem falava, mas os cristãos presentes teriam ouvido a voz.

No estádio, o procônsul ordena que jure pela fortuna de César e amaldiçoe Cristo. Policarpo responde que não pode blasfemar contra o Rei que jamais lhe fez mal. Quando a fogueira é acesa, o relato diz que as chamas formam um arco como a vela de um navio cheia de vento e cercam seu corpo sem consumi-lo. Ele parece pão assando ou ouro na fornalha, enquanto se espalha um perfume de incenso. Como o fogo não o consome, um carrasco o atravessa com um punhal; o sangue derramado teria apagado as chamas.

Irineu, que se lembrava de ouvir Policarpo na juventude, escreveu que o bispo aprendera com os apóstolos e transmitia fielmente o que recebera. Assim, uma execução local se tornou memória partilhada por gerações cristãs.